Viviane Regina de Oliveira Silva
Psicóloga - CRP 06/148390
Alimentar-se é uma função fisiológica que nos garante a
sobrevivência e também ao longo da história nos trouxe um hábito prazeroso.
Cada pessoa sujeita a fatores genéticos, sociais e culturais, escolhe o tipo e
a quantidade de alimentos que consome. Esse livre arbítrio e a gama de comida
ofertada, pode causar um desequilíbrio do nosso sistema corporal e psíquico,
desencadeando distúrbios alimentares graves como obesidade, bulimia e anorexia.
Esses transtornos são patologias caracterizadas pelo excesso de consumo de
alimentos para mais ou para menos, que comprovadamente são motivados ou têm
como consequências desequilíbrios psicológicos: ansiedade, depressão, baixa
autoestima, estresse, isolamento e outros. São quadros caracterizados por
aspectos como medo mórbido de engordar, preocupação exagerada com o peso e a
estética corporal, redução voluntária do consumo nutricional com progressiva
perda de peso, grande ingestão de
alimentos seguida de vômitos e uso abusivo de laxantes e/ou diuréticos. São
patologias graves e de prognóstico reservado, que provocam elevados índices de óbito
e levam a limitações físicas, emocionais e sociais. Têm influência direta de
fatores culturais, históricos, midiáticos, estéticos e socioeconômicos
inclusive raciais e de gênero, em busca da aceitação pelas pessoas de seu
convívio e no alcance de um padrão estético globalizado.
O tratamento desses distúrbios exige o acompanhamento de
diferentes profissionais. O endocrinologista, o psiquiatra e o nutricionista
são parceiros importantes do psicólogo nesse contexto, que na maioria das vezes
envolve também a família dos pacientes.
O diagnóstico deve levar em consideração todos os sintomas,
inclusive a frequência e desde quando se manifestam. Pela especificidade do
transtorno e pela inter-relação entre eles é necessário que o diagnóstico seja
realizado por um profissional habilitado e com bom manejo clínico.
O papel do psicólogo é indispensável e tem o objetivo de
auxiliar o paciente a modificar pensamentos e comportamentos disfuncionais em
relação à alimentação e ao seu corpo, além de promover uma melhora na
autoestima.
O tratamento psicológico é realizado através de sessões
semanais utilizando-se de estratégias e técnicas comportamentais que trarão
benefícios como: redução dos sintomas,
controle da ansiedade, maior autocontrole, menor sentimento de culpa,
desenvolvimento de estratégias para lidar com crises, melhora da autoestima,
mudar a relação com os alimentos e o corpo, equilíbrio do peso corporal e
outros.
O tratamento é extremamente importante porque dificilmente
esse tipo de patologia regride sozinho, ao contrário, os sintomas podem
aumentar com o passar do tempo, perdendo-se o controle da situação. Vale
lembrar que uma dificuldade significativa do tratamento é a demora em buscar o
acompanhamento, podendo ter agravado a doença. Sendo assim, tanto o diagnóstico
quanto o tratamento precoce favorecem melhores resultados.

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