terça-feira, 11 de junho de 2019

TRANSTORNOS ALIMENTARES


Viviane Regina de Oliveira Silva
Psicóloga - CRP 06/148390


Alimentar-se é uma função fisiológica que nos garante a sobrevivência e também ao longo da história nos trouxe um hábito prazeroso. Cada pessoa sujeita a fatores genéticos, sociais e culturais, escolhe o tipo e a quantidade de alimentos que consome. Esse livre arbítrio e a gama de comida ofertada, pode causar um desequilíbrio do nosso sistema corporal e psíquico, desencadeando distúrbios alimentares graves como obesidade, bulimia e anorexia. Esses transtornos são patologias caracterizadas pelo excesso de consumo de alimentos para mais ou para menos, que comprovadamente são motivados ou têm como consequências desequilíbrios psicológicos: ansiedade, depressão, baixa autoestima, estresse, isolamento e outros. São quadros caracterizados por aspectos como medo mórbido de engordar, preocupação exagerada com o peso e a estética corporal, redução voluntária do consumo nutricional com progressiva perda de peso,  grande ingestão de alimentos seguida de vômitos e uso abusivo de laxantes e/ou diuréticos. São patologias graves e de prognóstico reservado, que provocam elevados índices de óbito e levam a limitações físicas, emocionais e sociais. Têm influência direta de fatores culturais, históricos, midiáticos, estéticos e socioeconômicos inclusive raciais e de gênero, em busca da aceitação pelas pessoas de seu convívio e no alcance de um padrão estético globalizado.
O tratamento desses distúrbios exige o acompanhamento de diferentes profissionais. O endocrinologista, o psiquiatra e o nutricionista são parceiros importantes do psicólogo nesse contexto, que na maioria das vezes envolve também a família dos pacientes.
O diagnóstico deve levar em consideração todos os sintomas, inclusive a frequência e desde quando se manifestam. Pela especificidade do transtorno e pela inter-relação entre eles é necessário que o diagnóstico seja realizado por um profissional habilitado e com bom manejo clínico.
O papel do psicólogo é indispensável e tem o objetivo de auxiliar o paciente a modificar  pensamentos e comportamentos disfuncionais em relação à alimentação e ao seu corpo, além de promover uma melhora na autoestima.
O tratamento psicológico é realizado através de sessões semanais utilizando-se de estratégias e técnicas comportamentais que trarão benefícios como: redução dos sintomas, controle da ansiedade, maior autocontrole, menor sentimento de culpa, desenvolvimento de estratégias para lidar com crises, melhora da autoestima, mudar a relação com os alimentos e o corpo, equilíbrio do peso corporal e outros.
O tratamento é extremamente importante porque dificilmente esse tipo de patologia regride sozinho, ao contrário, os sintomas podem aumentar com o passar do tempo, perdendo-se o controle da situação. Vale lembrar que uma dificuldade significativa do tratamento é a demora em buscar o acompanhamento, podendo ter agravado a doença. Sendo assim, tanto o diagnóstico quanto o tratamento precoce favorecem melhores resultados.